Os Bombos do Centro Cultural do Campo representam uma das tradições mais antigas recuperadas pela nossa associação e são, ainda hoje, um símbolo da identidade cultural da comunidade do Campo.
A história que chegou até nós conta que já existiam bombos na aldeia há várias gerações, desconhecendo-se quando terão surgido pela primeira vez. Esta tradição acabou, contudo, por desaparecer com o falecimento dos seus tocadores e proprietários.
Décadas mais tarde, no início dos anos 80, algumas pessoas da povoação decidiram recuperar os antigos Zés Pereiras, devolvendo às ruas do Campo o som dos bombos que permanecia na memória das gerações anteriores.
A população associou-se à iniciativa através de contributos que permitiram adquirir dois bombos e duas caixas.
O momento que marcou simbolicamente o renascimento desta tradição aconteceu no dia 22 de julho de 1982, durante a festa em honra de Santa Maria Madalena, padroeira da freguesia do Campo. Nesse dia, os instrumentos foram benzidos pelo então pároco, Padre António Neves.
Nasciam assim os “Zés Pereiras D. Muna”, designação escolhida em homenagem ao antigo topónimo “Muna”, referido no historial como anterior à própria Nacionalidade.
As arruadas rapidamente voltaram a criar um ambiente de alegria entre a população. O entusiasmo gerado em torno dos bombos levantou também a necessidade de garantir a sua preservação e de encontrar uma estrutura que assegurasse a continuidade deste património cultural.
Os bombos acabariam, assim, ligados à história e ao património do Centro Cultural do Campo, instituição cuja constituição legal remonta a 9 de dezembro de 1981, com escritura pública posteriormente publicada no Diário da República de 5 de janeiro de 1982.
Mais de quatro décadas depois daquele dia de julho de 1982, o som dos bombos continua a ouvir-se nas nossas ruas.
Preservar esta tradição é também preservar a memória daqueles que contribuíram para o seu renascimento e garantir que as novas gerações conhecem e dão continuidade a uma parte importante da história da nossa terra.
Que nunca falte quem pegue nas baquetas e faça continuar a ouvir-se o som dos Bombos do Centro Cultural do Campo.
Fonte histórica: Jornal Intervenção / Arquivo do Centro Cultural do Campo.
